EU E GALERA EM ANGRA

Sobre personagens mulheres dos quadrinhos, que descobri lendo outro blogs, principalmente o blog Velta Quadrinhos.



Quarta-feira, Junho 23, 2004

Mais uma vampira gostosa dos quadrinhos do Brasil... NAIARA, A FILHA DE DRÁCULA


Quem é NAIARA - Uma bonita loira, sempre vestida com roupas curtinhas e decotadas, provocando os homens para...beber-lhes o sangue. Lançada mais ou menos na mesma época da também deliciosa Mirza, Naiara foi criação do mestre desenhista Nico Rosso, escrita por Helena Fonseca, e publicada pela Editora Taika. As poucas revistas que pude folhear, infelizmente, não especificam o ano, mas, vendo as propagandas, imagina-se que tenha sido entre 1967 e 1968.


Naiara é filha do Rei dos Vampiros, o Conde Drácula, mas os dois se mostram sempre como inimigos mortais, um querendo ferrar o outro. Apesar de muito feminina e provocante, Naiara tem atitudes bem sádicas, especialmente para se livrar dos seus inimigos.


Um dos detalhes interessantes da personagem, é que a vampira loira não gosta de morder pescoços. Sua maneira de se alimentar é bem sofisticada: bebe sangue em taças, e fura os pescoços com facas, estiletes e outras armas perfurantes. Ela também não se importa de usar outras armas para matar: revólveres, explosivos, fogo, etc. Na época de sua aparição, em plena repressão e censura da ditadura militar implantada em 1964, Naiara tirava a roupa, provocava e excitava os homens, mostrando os seios e transando, nas revistas. Nem os índios escaparam de seu charme mortal: um tal Purú comeu o pão que o diabo amassou nas mãos de Naiara. Numa das amostras neste blog, Naiara cruza as pernas e se mostra, deixando os índios doidões.


Infelizmente, pelo que eu sei ¿ e me corrija quem souber do contrário - Naiara não mais apareceu nas revistas de terror brasileiras. Bem que a Opera Graphica, que anda tentando resgatar o passado da HQ no Brasil, e mesmo a HQ brasileira atual, poderia nos presentear com a republicação desse raro material.


As capas de Naiara eram pintadas também pelo mestre Nico Rosso, que fazia os desenos em preto e branco do interior da revista.


Naiara tinha até um leão vampiro. Saquem só.


Abaixo, Naiara deixa os fotógrafos de pinto... digo máquina fotográfica em pé.


A maneira mais comum de Naiara hipnotizar suas vítimas era fazê-las olhar fixamente para seus olhos amarelados e perguntar-lhes de que cor eram. Abaixo, num dos raros momentos em que ela não tem escolha, a não ser usar seus belos dentinhos para beber o sangue do cara.


De Nico Rosso, existe disponível apenas o álbum ¿O Lobisomem¿, em parceira com Gedeone Malagola, criador do Raio Negro.

Coleção Opera Brasil Volume 4
Lobisomen - Um lobisomem diferente de todos os outros que alimentaram o imaginário popular, através dos livros, filmes, programas de rádio, quadrinhos e do próprio folclore. É o que mostra esse álbum escrito por Gedeone Malagola e ilustrado por Nico Rosso.

Roteiro: Gedeone Malagola ¿ Arte: Nico Rosso
Formato: 21 x 28 cm - 52 páginas ¿ Miolo p/b em papel off-set ¿ Capa cartonada, em cores e plastificada - R$ 14,90 ¿ Edição limitada e numerada de 1000 exemplares, assinada por Gedeone Malagola ¿ Distribuição: HQ Club
O álbum pode ser encontrado nas livrarias e pontos de venda do HQ Club.


Quem é NICO ROSSO - Outro grande mestre dos quadrinhos mundiais que veio para o Brasil na segunda metade do século XX para consolidar uma tradição tipicamente nacional: as histórias de terror. Italiano de Turim, Nico Rosso nasceu em 1922 e veio para o Brasil aos 24 anos. Apesar da pouca idade, deixou em seu país de origem um respeitável currículo de formação profissional. Estudou e aprendeu a fazer retratos com os pintores Giacomo Grosso e Giovani Reduzzi. No Brasil, o artista amadureceu seu traço e especializou-se em arte-final com pincel, qualidade que o tornou uma referência para todos os desenhistas de sua época. Destacou-se também como um dos mestres do erotismo nacional, mesmo sem ter feito uma única história de sexo. Antigo professor de vestuário, desenhava lindas garotas em trajes íntimos como nenhum outro artista brasileiro. Em 2002, a Opera Graphica lançou o álbum Lobisomem, escrito por Gedeone Malagola e desenhado por Rosso ¿ que é um de seus trabalhos mais bonitos.

Biografia de Nico Rosso - (1910-1981)
Nicola Rosso nasceu em Turim, na Itália, no dia 19 de julho de 1910. Ainda pequeno, o desenho, sua verdadeira paixão, levou-o à Academia Albertina de Turim. Tempo depois, estudou retrato com os mestres Giácomo Grosso e Giovanni Reduzzi. Sua incansável busca pelo aperfeiçoamento das técnicas de desenho levou-o a viajar pela França por dois anos.

Trabalhando em todas as modalides das artes gráficas, foi considerado um destacado profissional em seu país. Lecionou Ilustração e História do Traje na Escola de Artes Gráficas Bernard Semeriz.

Conheceu Tina Billi quando tocava bateria num baile, com quem se casou aos vinte dias de setembro de 1937. Tiveram apenas dois filhos, Gianluigi Rosso e Valeria Rosso. Tendo a guerra devorado quase que totalmente seus bens, transferiu-se para o Brasil, chegando ao Porto de Santos no dia 03 de outubro de 1947, contratado para dirigir o Departamento de Artes da Editora Brasilgráfica. Sua família chegou logo após, no dia 09 de abril de 1948.

Logo depois, iniciou sua carreira autônoma como ilustrador, capista e quadrinista, colaborando com inúmeras editoras e trabalhando em quase todos os gêneros de quadrinhos, como de histórias, infantil, humor, terror, entre outros. Trabalhou também na Escola Panamericana de Artes, sendo integrante do corpo docente fundador da instituição.

Como ilustrador infantil, destacamos seu trabalho em 1951, na Editora Melhoramentos, com a produção de ¿Leitura 1¿, da Série Braga, totalmente ilustrada por Nico Rosso, obra esta que pode ser encontrada no acervo do Projeto ¿Memória da Cartillha¿.

Nico Rosso teve uma importante contribuição como ilustrador de revistas de terror e humor. Ilustrou famosas revistas de terror, como a ¿Revista Terrir¿, ¿Revista Estranho Mundo de Zé do Caixão¿, Revista "Contos de Terror" e "Targo", bem como trabalhos de humor como a quadrinização de Chico Anísio na revista "Era Xixo um Astronauta?¿.

Sofreu sérios problemas de saúde no ano de 1976, decorrentes do desabamento e da inundação de seu estúdio, causados por problemas de infiltração de águas pluviais em terreno anexo de propriedade de uma companhia energética. Este incidente acarretou a perda de quase todo seu acervo bibliográfico, consumindo também exemplares de sua obra.

Em decorrência deste episódio, sofreu derrame cerebral e, depois, infarto. Assim sendo, teve que abandonar o trabalho de quadrinista e de professor, aposentando-se logo em seguida. Canhoto de nascença, desenvolveu habilidades de ambidestrismo durante sua vida profissional, fato este que, mais tarde, permitiu-lhe retomar o desenho no pontilhismo.

Após três infartos, deu suas últimas pinceladas na véspera do dia 01 de outubro de 1981. Uma pena.

postado por: MARCONI ALVES LADAPA 8:40 PM



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